# Tendências de 2026 na música Pt2.

### Listening Clubs, fãs profissionais e a manufatura dos novos tempos

Se você caiu nesse texto de cabeça, recomendamos que leia a famosa [PARTE 1](https://300noise.substack.com/p/tendencias-de-2026-na-musica-pt1). Nós somos a 300Noise um estúdio focado em música e cultura e estamos trabalhando em vários projetos para 2026. Para não perder nada disso, já aproveita para se inscrever por aqui. Estamos batendo os MIL inscritos. Agradecemos pelo apoio e pela força!

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#### **Listening clubs & Listening Parties**

Audição comentada de Laufey

Seguindo no campo da busca por novas formas de personalizar relações e colocar a música no offline + se aproveitando da guinada pelos Listening bares e casas que seguem essa proposta de som em (mais ou menos) primeiro lugar, a pedida é um espaço de construção de narrativa, proximidade e exclusividade.

Sabe aquela discotecagem comentada? Sabe aquela experiência de ouvir um álbum de cabo a rabo com outros entusiastas daquela banda, ou daquela obra? As zonas de audição, diálogo e conexão estão mais quentes que nunca.

Essas “experiências” (como diriam os publicitários) não são só arma poderosa para marcas em busca de construir algo em torno das palavrinhas do momento, como super fãs, mas também para cenas e movimentos mergulharem em debates, fortalecimento e difusão de novas ideias e possibilidades.

Muitas marcas estão utilizando a dinâmica de Listening Clubs para criar zonas de exclusividade para produtos e serviços, além de incrementarem as relações de comunidades dentro do offline.

#### **Profissionalização de fandoms**

Vocês sabem, a palavra da vez entre publicitários e profissionais da música é: SUPERFÃ. E não é segredo que temos pessoas que nutrem uma admiração extremamente pessoal e singular por artistas, atores, escritores, pintores, jogadores, influencers, políticos, em qualquer campo que seja.

Desde uma comunidade dedicada no Orkut até uma página de atualizações no Instagram, fãs se agrupam para fortalecer a comunidade e difundir a pessoa, ou produto admirado. Com o avanço das plataformas e a compreensão do funcionamento delas, os fandoms passaram a estabelecer diversas estratégias e táticas de divulgação.

[Se lembra quando os fãs de BTS (Army) esvaziaram um comício de Donald Trump?](https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/06/25/interna_cultura,1159658/exercito-de-fas-do-k-pop-fere-a-campanha-de-donald-trump-a-reeleicao.shtml)

O poder de mobilização das comunidades de fãs demorou muito para ser trabalhado pelas próprias gravadoras e artistas, mas está cada vez mais integrado à lógica de mercado (por ambos os lados).

Estamos falando sobre o trabalho envolvendo métricas e projetos de campanha, mas também pesquisa e aprimoramento de produto criativo. Alguns meses atrás [escrevemos sobre](https://300noise.substack.com/p/newsletter-da-300noise-10-outubro) o contraste entre a campanha de Heineken (No Line-up) x Budweiser (Maroon 5 para super fãs) e talvez esse seja um bom texto para entender a questão.

Bud Live com Maroon 5 - YouTube

#### **I.A. como filtro qualitativo e econômico dentro do setor criativo**

Com a difusão das diversas ferramentas para criação de imagens, texto, música e vídeo, estamos cada dia mais suscetíveis ao consumo de I.A. dentro do cotidiano dentro e fora da internet. Muito desse consumo nem ao menos acaba sendo percebido, veja bem.

Se quiser dar uma leve aprofundada nessa questão, recomendamos [o artigo da ACM](https://cacm.acm.org/research/as-good-as-a-coin-toss-human-detection-of-ai-generated-content/) sobre detecção de Inteligência Artificial em imagens, áudios e vídeos. O resultado é, no mínimo, complicado.

A lógica do uso de I.A. dentro do capitalismo é bem simples, redução de custos e otimização de lucros. No fundo, se o seu fluxo de trabalho melhorou (ou piorou), isso pouco importa. Alguns setores vão ser enxugados até o limite. E com isso, temos um efeito de pasteurização criativa com o uso de Inteligência Artificial e seu uso massivo como “encurtamento” da cadeia de produção.

Indo além: ao massificar a utilização dessa ferramenta e retirar profissionais criativos da cadeia, temos a criação de um novo piso para artes, vídeos, textos e publicidades. E esse piso se estabelece por dois fatores: 1 – curiosidade e aprendizado derivado da novidade tecnológica. 2 - Constante aperfeiçoamento dessas ferramentas.

Faz sentido que grandes marcas utilizem I.A. em suas campanhas para entenderem a recepção do público e os limites de operação (qual o tamanho do layoff). Mas isso não significa que essa ferramenta será padronizada para todas as marcas e empresas, ao menos se tratando sobre processos criativos.

Isso vai depender de diversos fatores, mas um deles certamente será o recorte socioeconômico.

#### **Pico e queda do metal chiclete**

O metal, assim como qualquer outro estilo musical, tem seus ciclos e suas tendências sonoras. Como falamos na parte 1 desse texto, o thrash metal minguou e o new metal tomou o centro dos holofotes, com Korn, Deftones, Limp Bizkit.

Na sequência, na segunda metade dos 2000, a atenção se voltou para o metalcore e sua progressão mais difusora para outros campos melódicos, que flertavam com a própria música pop. Nessa linha, uma banda de deathcore, Bring Me The Horizon, passou a ser uma referência na fusão entre estilos e públicos.

Outras bandas buscaram criar essa mistura para ampliar público e alcance. O movimento se fortaleceu com a construção de narrativas e simbologia. Em 2010, tivemos a banda Ghost ganhando atenção pelo mistério da identidade de seus membros, em 2025, a banda President tentou repetir o feito. No meio disso, temos o Sleep Token que funde a sonoridade do pop dentro do metal e se apoia em uma mitologia própria com máscaras e personagens.

Porém, em 2026, o formato pode atingir sua saturação por conta de dois fatores: 1 – A sede do público por autenticidade pode descaracterizar fórmulas engessadas e algorítmicas do pop. 2 – O próprio pop estar sendo direcionado para nichos, cenas e estilos musicais mais periféricos. O reposicionamento de mercado e mudança de direção criativa parece inevitável.

#### E agora, José?

Com os dois textos sobre tendências em mente, te convidamos para um super texto que vai mergulhar mais em correlações entre esses tópicos. Nossa análise completa estará disponível na próxima semana, porém apenas uma parcela do conteúdo será disponibilizada ao público.

A verdade é que dá um trabalhão montar esses materiais e contamos exclusivamente com o apoio de vocês para organizar esse material e, claro, nossas pesquisas. Considere se tornar um inscrito do _**clubinho**_ da 300Noise para ler o material completo e dar um baile na reunião da firma com #insights fabulosos….

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